Financiamento ao setor da construção civil é 36% maior em 2022

Desde 2019, a Caixa já liberou R$ 400 bilhões em empréstimos de financiamentos habitacionais. No primeiro trimestre de 2022, as contratações com recursos da poupança (SBPE) chegaram a R$ 21,4 bilhões, crescimento de 31,2% em relação ao mesmo período de 2021. Ainda segundo a Caixa, a Construção Civil registrou alta de 9,7% do PIB em 2021. Além disso, em 2022 foram contratados R$ 14,8 bilhões em financiamento ao setor da construção civil, montante superior em 36% ao realizado no mesmo período de 2021.

No entanto, de acordo com Alex Frachetta, fundador e CEO do Apto, plataforma de lançamentos imobiliários, no dia a dia, às vezes é difícil perceber esse crescimento. “O comum é sempre comparar com o passado mais recente. No entanto, temos enfrentado semestres muito diferentes. É um pouco ruim comparar com o primeiro semestre de 2021, por exemplo, uma vez que foi um momento em que a Covid-19 foi horrível aqui no Brasil. Inclusive, várias construtoras foram obrigadas a fechar os plantões de vendas por várias semanas. Na minha opinião, precisamos olhar este dado com atenção uma vez que foi um período super atípico. Por outro lado, quando comparamos com o segundo semestre de 2021, também não é o ideal, uma vez que o mercado é bastante sazonal e costuma ser mais forte no segundo semestre. E é algo histórico – basta ver o número de lançamentos dos últimos anos. Outubro, novembro e dezembro costumam ser os meses em que as construtoras mais lançam. Dezembro de 2021, em especial, foi o mês com maior número de lançamentos”, afirma Frachetta. 

De forma geral, segundo Frachetta, o primeiro trimestre de 2022 foi uma continuação do segundo semestre de 2021, que foi muito bom. “Só que, ao mesmo tempo, sofreu o impacto da oscilação econômica, com aumento dos juros e as incertezas que estão em todos os países do mundo. Esses fatores impactaram um pouco mais o segundo trimestre de 2022, o que não quer dizer que é uma puxada de freio de mão – só não vemos a mesma euforia que vivemos há alguns meses atrás. 

Perspectivas para 2022 para os financiamentos

Frachetta acredita que, com relação aos financiamentos de médio a alto padrão, é possível sentir uma desaceleração por parte das construtoras, mas não muito forte. “No entanto, para o financiamento, isso não impacta para este ano. Para empreendimentos de médio a alto padrão, o impacto poderá ser daqui a três anos, quando sair o Habite-se e o imóvel ficar pronto. Aí sim a pessoa fará o financiamento direto com o banco. O que impacta diretamente neste ano para o financiamento é o volume de projetos lançados para o Casa Verde e Amarela, porque o repasse deles é imediato, já no momento do lançamento. Aqui em São Paulo, por exemplo, o teto do Casa Verde e Amarela não pode ser maior que R$ 260.000,00. Então como os insumos aumentaram bastante, isso significa que a margem de lucro esperada pelas construtoras ficou menor. Por esse motivo, algumas construtoras têm optado por esperar um pouco mais para fazer os lançamentos imobiliários. Isso pode impactar um pouco no volume de financiamentos que vão acontecer em 2022”, aponta Frachetta.

Para evitar este cenário, Frachetta menciona que há algumas medidas que estão sendo  tomadas que podem ser positivas, que é de aumentar o tempo do financiamento de 30 anos para 35, além de fazer o fundo de garantia parecer uma conta corrente, que vai sempre depositando o saldo devedor de quem compra imóvel. “Na minha opinião, isso é excelente tanto para o mercado imobiliário como para as pessoas”, destaca Frachetta.

Além disso, segundo Frachetta, uma das medidas tomadas pela Caixa e que tem ajudado no mercado imobiliário é não aumentar os juros no mesmo ritmo da Selic. “Isso é muito importante porque ela faz com que outros bancos não sigam neste ritmo de aumento para as taxas de financiamento imobiliário”, opina Frachetta. 

A Caixa também lançou recentemente o Plano Empresário CAIXA, uma linha de crédito direcionada à produção de empreendimentos. O programa inclui financiamento de até 85% do custo de obra, até 36 meses para construção e até 9 meses de carência para início da obra, além de repasse das unidades aos compradores finais a partir de 80% da obra executada.

“Ações como a do Plano Empresário CAIXA são importantes, porque em momentos de aumento de custos, todas as empresas procuram aumentar a eficiência e é exatamente isso que o plano procura oferecer, retirando burocracias e acelerando processos“, conclui Frachetta.

Entrevistado
Alex Frachetta é fundador e CEO da Apto, plataforma de lançamentos imobiliários com imóveis novos das construtoras e imobiliárias de todo o Brasil. Pós-graduado em Inteligência de Mercado e graduado em Administração de Empresas. Tem 12 anos de experiência no mercado imobiliário, com atuação em big data, inovação imobiliária e tendências

Fonte: www.cimentoitambe.com.br